O Cemitério dos Escravos está situado na Freguesia da Piedade do Iguaçu, mais precisamente entre os bairros Vila de Cava e Tinguá, acessível pela Estrada Zumbi dos Palmares. Durante o século XIX, o local era destinado especificamente a sepultamentos de pessoas escravizadas, pobres e, ocasionalmente, homens brancos não católicos.
O cemitério fazia parte de um complexo maior vinculado à Fazenda São Bernardino, fundada em 1875, que abrigava a casa grande, senzalas, engenhos de cana e mandioca, além de áreas para habitação dos escravizados e produção agrícola. A Fazenda produziu café, açúcar, aguardente e farinha de mandioca, e teve grande relevância econômica até ser destruída por um incêndio na década de 1980.
Função e Estrutura
O cemitério servia como local exclusivo para o enterro de negros escravizados, que não podiam ser sepultados junto aos brancos em cemitérios tradicionais ou nas igrejas da região. Foram registrados sepultamentos em valas comuns e, muitas vezes, sem identificação individual, evidenciando a marginalização da população escravizada . O local também recebeu enterros de indigentes e homens brancos protestantes, excluídos das necrópoles católicas .
O cemitério atual está abandonado, com a vegetação predominando e a presença de urubus e cães, embora continuem sendo feitas oferendas aos santos ou orixás por adeptos de religiões de matriz africana .
Patrimônio e Revitalização
Apesar do abandono, há esforços para preservar e revitalizar o patrimônio histórico, incluindo o Cemitério dos Escravos, a escadaria de acesso em tijolos do século XVIII e ruínas da antiga igreja de Nossa Senhora da Piedade. Projetos na região da Vila de Iguassú pretendem reconstruir e valorizar as estruturas históricas para atividades culturais e artísticas, integrando o cemitério à memória da cidade .
Significado Cultural
O Cemitério dos Escravos é um testemunho da história da escravidão no Brasil e da segregação social da época, funcionando como memorial não oficial das pessoas que foram privadas de liberdade e enterradas de forma marginalizada. Ele representa não apenas a memória dos indivíduos sepultados ali, mas também a herança histórica da região da Baixada Fluminense .
Para visitar, o cemitério permanece aberto, mas é importante ter consciência do estado de abandono e respeitar o local como patrimônio de reflexão histórica.
Em resumo, o Cemitério dos Escravos de Nova Iguaçu oferece conhecimento sobre a história social e racial da cidade, sendo um ponto de preservação da memória negra e resistência cultural na Baixada Fluminense.
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